O mercador, o padre e o sapateiro: Milenarismo e messianismo judaico-cristão vistos de baixo (Bahia, século XVIII)

Autores

Palavras-chave:

Bahia de Todos os Santos, criptojudaísmo, cristãos-novos, Inquisição Portuguesa, Messianismo judaico-cristão

Resumo

No início do século XVIII, os comissários de Salvador enviaram ao Santo Ofício de Lisboa uma lista de acusações nas quais classificavam a conduta dos cristãos-novos como proposições heréticas. O inventário de heresias incluía críticas à Inquisição e posse de obras proibidas. Um mercador, em particular, foi acusado de possuir livraria, biblioteca e estante repleta de livros. O texto destaca o fortalecimento do sentimento judaico e da circulação cultural no século XVIII, ao mesmo tempo em que apresenta um corpus de “palavras vergonhosas” usadas contra a Inquisição. Essas expressões buscavam exaltar a lei de Moisés, com nuances de milenarismo cristão e messianismo judaico. O messianismo judaico-cristão era um tema vigente na época e muitos anelavam apressar a vinda do Messias para julgar os vivos e os mortos e, assim, pôr fim à Inquisição. Este estudo centra-se nos manuscritos produzidos pela Inquisição Portuguesa, especialmente nos “cadernos do promotor” e nos processos inquisitoriais. Trata-se de um estudo de caso que analisa a existência de um sistema de transgressão da ordem institucional, presente nos interstícios das elites letradas e das camadas populares da modernidade. O trabalho levanta novas questões sobre as religiosidades coloniais, particularmente os criptojudaísmos do século XVIII.

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Publicado

2026-06-30