Mídia, autoridade e gentrificação nas religiões afro-brasileiras

Autores/as

Palabras clave:

mídia e religião, religiões afro-brasileira, gentrificação, hierarquia e poder, culturas digitais, COVID-19

Resumen

Este artigo analisa como o uso crescente de mídias digitais nas religiões afro-brasileiras, especialmente durante a pandemia de COVID-19 (2020-2022), reconfigurou práticas rituais, formas de autoridade e modos de transmissão do conhecimento. Partindo de uma etnografia de longa duração em terreiros de Candomblé e Umbanda no Brasil, o texto argumenta que o chamado “giro digital” emerge de uma “crise do corpo”, na medida em que a centralidade da presença física — fundamental para a circulação da energia sagrada — é tensionada por mediações tecnológicas. Ao mesmo tempo, essas transformações ampliam o acesso ao conhecimento ritual, desafiam hierarquias tradicionais e favorecem a emergência de novos atores religiosos, especialmente os mais jovens, familiarizados com o ambiente digital. O artigo também discute como essas mudanças se articulam a processos mais amplos de gentrificação religiosa, nos quais práticas são progressivamente adaptadas a públicos urbanos e de classe média, tornando-se mais “portáteis”, didáticas e alinhadas a valores contemporâneos. Argumenta-se, por fim, que a digitalização contribui tanto para a flexibilização de conflitos morais quanto para a mercantilização e pedagogização do saber religioso, reconfigurando profundamente as formas de viver, aprender e legitimar a religião.

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Publicado

2026-06-30