Memórias de mulheres sobre a prisão e a repressão da ditadura militar brasileira no filme “Torre das Donzelas” (2018) e no livro “Tiradentes, um presídio da ditadura”(1997)
Palabras clave:
Memórias de mulheres, ditadura militar brasileira, usos públicos do passado, prisão e repressão política, história do tempo presenteResumen
O presente trabalho objetiva investigar aspectos presentes em memórias de mulheres sobre a prisão e a repressão política da ditadura militar brasileira, experiências especialmente vivenciadas na Torre das Donzelas entre 1968 e 1972. A análise foi realizada a partir de duas fontes de naturezas distintas que abordam memórias sobre aspectos que se convergem: o livro “Tiradentes, um presídio da ditadura” (1997) e o filme-documentário “Torre das Donzelas” (2018). A construção teórico-metodológica pauta-se sobretudo em estudos sobre a memória dentro do campo dos estudos da história do tempo presente. A partir da publicização, pelas fontes, das memórias dessas mulheres, buscou-se analisar os aspectos mobilizados por elas ao longo do tempo, levando em conta permanências e transformações nesses relatos. As memórias relacionadas às experiências dessas mulheres no presídio Tiradentes, quando retomadas, denunciaram o silêncio agenciado pelo Estado sobre o passado deste espaço político. As particularidades presentes nas fontes contribuem para pensá-las como modos de representação do passado próprios de um presente, inserindo essas memórias de mulheres no amplo escopo de tantas outras experiências da ditadura.
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